https://doi.org/10.63923/sdes.2025.88
Resumo
Há 25 anos, iniciaram-se as notificações de malformações congênitas do sistema circulatório no Brasil. A cada ano, os números crescem progressivamente, ocorrendo quedas em períodos pontuais. Apesar de avanços na assistência do pré-natal no Brasil para esse grupo, há uma grande disparidade entre as macrorregiões do país, pois é notável a diferença de notificações, por exemplo, entre o Nordeste e o Sul do Brasil. Conforme resultados deste trabalho, os estados nordestinos possuem 0,85 casos a cada 10 mil habitantes, enquanto a região Sul apresenta 2,32. Ademais, o Nordeste é a segunda maior região do país, porém apresenta apenas 10% de todos os casos notificados ao longo desta série histórica, indicando uma possível subnotificação de casos. O presente estudo é uma análise descritiva que visa discutir as notificações de malformações congênitas do sistema circulatório no Nordeste do Brasil ao longo de 30 anos. A discrepância reforça a necessidade de fortalecer estratégias de notificação e ampliar o Teste do Coraçãozinho para melhorar a detecção precoce e o prognóstico desses pacientes.
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